Laboratório de Inovação Social
Planejamento & Gestão Municipal
______
G O N Ç A L V E S, M I N A S G E R A I S
"Não é a convicção de que algo vai dar certo, mas a certeza de que algo faz sentido, independentemente do que aconteça."
- Vaclav Havel
Dos Primeiros Estudos
ao Laboratório
Na compilação de estudos de “Que mundo é esse?", abordamos os grandes e graves processos de transformação que estamos vivendo no planeta, como a pandemia de Covid-19, as mudanças climáticas globais, o negacionismo científico, a polarização social em torno de inúmeros temas políticos, sociais e religiosos, os impactos desses fenômenos na economia - nacional e internacional - e a angústia e grande sofrimento que se abateu por toda parte.
O mundo está passando por uma Macrotransição?
Uma Metacrise Global? Uma Mudança Tectônica na Sociedade?
O que aprendemos em 2020 e o que estamos aprendendo com a Pandemia de Covid-19?
Desses estudos sobre macrotransições e das experiências de 2020, foi emergindo a motivação que nos levou a pensar no desenvolvimento de um Laboratório de Inovação Social, com foco em Planejamento & Gestão Municipal, atento a questões que requerem respostas objetivas e inovadoras:
O que podemos, devemos
e precisamos fazer
diante desse aprendizado?
Vamos esperar a próxima grande crise?
Para que uma Gestão Pública Municipal eficaz?
Esse laboratório – que, em verdade, é a própria cidade – tem por objetivo dotar o município de todos os meios necessários e que estiverem ao alcance para o Poder Público dispor de governabilidade. Uma administração bem estruturada, com boa governabilidade, certamente resultará em aumento da resiliência e redução da vulnerabilidade da comunidade, permitindo o fortalecimento da rede existente e criação de novos mecanismos mais eficientes de proteção para os segmentos mais vulneráveis da população.
Precisamos nos preparar e nos adaptar para conviver com crises sanitárias e ambientais – estamos notando um aumento na frequência de secas e chuvas extremas na cidade? –, econômicas – o que aconteceu com a cidade fechada no início da pandemia? – e crises políticas no mundo, na região e no Brasil.
A Governabilidade do Homem sobre as Situações
“O homem, numa situação, se debate entre dois extremos. Em um controla totalmente alguns espaços de sua prática e, no outro, há processos nos quais é simplesmente arrastado pelas circunstâncias que não controla. No primeiro caso, decide o que fazer e sabe de antemão os resultados que pode alcançar. No segundo, não pode decidir sobre nada, só pode apostar sobre o futuro e se entrega à sorte. É um espectador do mundo que o determina e que não pode mudar. Só pode julgar e criticar essa realidade ou agradecer e lamentar sua sorte.
O governante, como condutor de situações, situa-se entre ambos extremos. O balanço entre as variáveis que controla e as que não controla constitui sua governabilidade sobre a situação. A governabilidade do homem sobre a realidade indica justamente para qual de ambos extremos teóricos se aproxima sua situação. O governante pode decidir sobre as variáveis que controla, porém, muitas vezes não pode assegurar resultados, porque eles dependem de uma parte do mundo que não controla.
Esta dificuldade não desanima a tentativa do homem por governar as situações através de apostas que, com algum fundamento de cálculo, o movem a anunciar os resultados de sua ação. A política exige compromissos que se expressam como anúncios de resultados. Um plano é um compromisso que anuncia resultados, ainda que tais resultados não dependam inteira ou principalmente do cumprimento desses compromissos.
Os fundamentos dessas apostas são mais sólidos quanto maior for o peso das variáveis que controla o governante que as anuncia, em relação ao peso das variáveis que não controla. E são mais débeis, se as variáveis que controla são poucas e de pouco peso. Em outro extremo de controle absoluto, a aposta se converte em certeza sobre os resultados. No outro extremo, de absoluto descontrole, a aposta é meramente um lance de sorte.
O processo de governo se situa numa zona intermediária entre a certeza e a pura sorte. Por conseguinte, a teoria do governo não é uma teoria de controle determinístico sobre um sistema, nem a teoria de um mero jogo de azar, mas tem uma dose de ambos ingredientes. (...) Na vida real, governa-se e planifica-se num jogo semicontrolado, e isto abala todas as nossas bases de pensamento sobre a planificação.”
_Carlos Matus
Carlos Tulio Matus Romo nasceu no Chile em 1931. Formou-se, em 1955, na Escola de Economia da Universidade do Chile. Desempenhou funções como assessor do Ministro da Fazenda e como Ministro da Economia do Governo do presidente Salvador Allende de 1965 a 1970, tendo sido o maior estudioso da América Latina e um dos maiores do mundo, sobre planejamento estratégico de governo, capacidade de governo, governabilidade, estilos estratégicos de governo, entre outros assuntos.
Gonçalves, Minas Gerais